domingo, 31 de maio de 2009

História: um mar onde todos querem navegar

Por Nancy Nunes

È obvio que é possível um diálogo entre os marxistas e weberianos na Historia, porque suas idéias adentram o tempo e estão sempre novas. Muitos historiadores no século XX colocaram os dois com idéias diferentes sobre a sociedade. Ambos são revolucionários social. Marx defendia a luta de classe e Max Weber acreditava nos tipos ideais.Marx tinha a teoria do materialismo histórico e Max Weber a teoria da compreensão.

Max Weber partilha com Marx na tentativa de colocar os fenômenos "ideológicos" nalguma correlação com os interesses "materiais" das ordens econômica e política. O conceito de burocracia racional é contraposto ao conceito marxista de luta de classes. Ocorre com o "materialismo econômico" o mesmo que acontece com a "luta de classes": Max Weber não nega as lutas de classes e sua parte na história, mas não as considera como a dinâmica central. Nem nega a possibilidade de uma socialização dos meios de produção. Simplesmente relega essa exigência a um futuro bem distante e refuta qualquer espera de socialismo em nossa época.

Max Weber não vê nada de atraente no socialismo. Aos seus olhos, ele simplesmente completaria na ordem econômica o que já acontecera na esfera dos meios políticos. A socialização dos meios de produção simplesmente sujeitaria uma via econômica ainda relativamente autônoma à administração burocrática do Estado. Para Max Weber, a concepção de socialismo contida no Manifesto Comunista está assentada na esperança revolucionária da ditadura política do proletariado. Na sua opinião, um socialismo dessa natureza levaria à maior servidão – a burocratização "O que - ao menos por enquanto - está em marcha é a ditadura do funcionário, e não a do trabalhador" (1997: 268).

A teoria compreensivo, defendido por Weber, consiste em entender o sentido que as ações de um indivíduo contêm e não apenas o aspecto exterior dessas mesmas ações. O conceito de tipo ideal corresponde, no pensamento weberiano, a um processo de conceituação que abstrai de fenômenos concretos o que existe de particular, constituindo assim um conceito individualizante ou, nas palavras do próprio Weber, um “conceito histórico concreto”. A ênfase na caracterização sistemática dos padrões individuais concretos (característica das ciências humanas) opõe a conceituação típico-ideal à conceituação generalizadora, tal como esta é conhecida nas ciências naturais.

Na teoria marxista, o materialismo histórico pretende a explicação da história das sociedades humanas, em todas as épocas, através dos fatos materiais, essencialmente econômicos e técnicos. A sociedade é comparada a um edifício no qual as fundações, a infra-estrutura, seriam representadas pelas forças econômicas, enquanto o edifício em si, a superestrutura, representaria as idéias, costumes, instituições (políticas, religiosas, jurídicas, etc)

Karl Marx tentou demonstrar que no capitalismo sempre haveria injustiça social, e que o único jeito de uma pessoa ficar rica e ampliar sua fortuna seria explorando os trabalhadores, ou seja, o capitalismo, de acordo com Marx é selvagem, pois o operário produz mais para o seu patrão do que o seu próprio custo para a sociedade, e o capitalismo se apresenta necessariamente como um regime econômico de exploração, sendo a mais-valia a lei fundamental do sistema.

Analisando os marxistas e os weberianos vejo muita gente que conheço de outras áreas “dar uma de historiadores”. Ainda ouço estudantes falarem que História é “decoreba”. Que História “ é estudar o passado para entender o presente”.Há outros que vão mais além, “é estudar o passado para compreender o presente e traçar perspectiva do futuro”.Coisas que faz Marc Bloch, Lucien Febvre, Braudel, Duby, Le Goff e outros se remexerem nos seus sagrados túmulos.

A Historia é realmente um mar cheio de belezas e riquezas a descobrir e que todos querem navegar de uma forma ou de outra. Devido à complexidade da História, a mesma abrange outras ciências que auxiliam no seu entendimento.. A História é uma interdisciplinaridade, como disse Lucien Febvre. São elas:

Geografia: estuda as relações entre os grupos humanos e a natureza

Economia:estuda as relações de produção, distribuição e consumo de mercadorias

Sociologia: estuda as relações entre os homens em sociedade

Antropologia: estuda a evolução física e cultural do homem

Paleontologia: estuda os vegetais e animais fósseis

Arqueologia:estuda as culturas extintas

Paleontologia e Epigrafia: estudam a escrita antiga

Diplomática: estuda os documentos oficiais antigos

Cronologia: estuda as datas históricas e diferentes calendários

Etnologia: estudo das populações primitivas sob o ponto de vista cultural

Numismática: estudo das moedas

Heráldica: estuda os brasões e escudos

Psicologia:estuda o comportamento humano.

O Professor de História é um “multiuso”. Precisa conhecer um pouco das ciências descritas acima para melhor desenvolver suas atividades com os demais.

Fico feliz pelo fato de profissionais de outras áreas construírem pontes com a História e tentarem realizar pesquisas que visem enriquecer os seus conhecimentos tendo como base o raciocínio.

Para estudar História é preciso haver uma seqüência. Quando analisamos um acontecimento é situá-lo no tempo/espaço. (quando e onde ocorreu o acontecimento).Então analisamos o contexto histórico (acontecimento).No contexto histórico há os antecedentes (onde percebemos os fatores estruturais e conjunturais).Após analise dos antecedentes analisamos o fato (o evento propriamente dito, suas características e seus significados históricos).E finalmente os desdobramentos(gancho para próximo assunto).

História é o raciocínio.História é a vida.História é o hoje.História é a razão.

Sou Historiadora e Pesquisadora com pressupostos weberianos, então os Marxistas podem e devem navegar em nosso mar e trazer a tona tesouros escondidos no fundo deste mar azul, que é a Historia Social, Historia das Mentalidades, História do Imaginário, Historia das Culturas, etc...etc... em nosso município, em nosso Estado e em nosso País.

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